25.4.06

Vôo

Vislumbro-te com sede de desejos!
Tento resistir,
Quase sucumbo com golpes de anseios,
Mas nada, nem mesmo eu,
Me faz afastar!
Aproximo-me,
Voo planado...
Sobre a falésia dum coração deserto,
O meu.
E foco-te com visão de águia-real.
E tento
Tocar-te,
Pousar em ti...

Nascente de uma vontade,
Ilusão de uma realidade que não conheço,
Que quase vejo, enquanto me aproximo...
Em voo planado ...
Sou águia-real,
Mas renuncio ao meu reino
E parto.
Parto para um sonho, um mar,
Porque não quero ser rei,
Num castelo no ar!

Quero ser livre, tornar-me quimera,
E ter-te!
Levar-te comigo,
Simulacro de rapto,
Levar-te e voltar a ter asas!
Já me acompanhas
Num voo planado...
Seguro-te!
Já de ti me não liberto!
E sentes comigo a aragem...

Acompanhas-me nesta semi fuga planeada, Porque eu sou águia, Mas tu és real E vais levar-me, Enquanto te vislumbro com sede de desejos, Quase sucumbindo com golpes de anseios Ao mundo que eu imaginava… O teu! Vais levar-me à imagem, Feita realidade por ti, Nas escarpas dum coração tornado rubro, Antes meu, Deserto, Árido! Agora nosso… Um oásis de papoilas!

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